
Durante muitos anos, a aquarela foi meu principal meio de expressão. Mais do que uma técnica, ela moldou a forma como aprendi a criar: observando, esperando, aceitando que nem tudo está sob controle.
Ao contrário do que às vezes se pensa, a aquarela não é apenas delicadeza. Ela exige atenção, paciência e uma disposição constante para negociar com a matéria. A água segue seus próprios caminhos, e parte do trabalho consiste justamente em aprender a acompanhá-los. Há algo profundamente interessante nessa colaboração entre intenção e acaso.
Ao longo da minha trajetória, experimentei outras linguagens e ferramentas, mas continuo reconhecendo na aquarela um lugar especial. Foi ela que me ensinou a conviver com o imprevisível, a valorizar o processo tanto quanto o resultado e a encontrar possibilidades onde antes eu via apenas erro.
As imagens reunidas aqui são também um registro dessa relação: de tudo o que aprendi ao tentar entender, camada após camada, o comportamento da água sobre o papel.






